26 outubro, 2007

Definir "Arte Pictórica" em Debate Público

As definições existem para explicar e demarcar os limites do objecto em análise, de molde a que quando sobre ele conversamos possamos estar todos em sintonia e .... a comunicar. Vejamos um exemplo simples: quando alguém no seio de um grupo fala de uma pêra, todos a identificam sem dificuldade. Há certamente pêras com características diferentes, mas o conceito é unânime.

Se as definições dos objectos são relativamente fáceis através da forma, cor, cheiro, sabor, texturas, etc, quando procurei a definição de Arte pictórica, fiquei soterrada de quilos de papel com múltiplos conceitos, totalmente díspares e que essa dificuldade já vem da era das Calendas.

Dei-me conta que o “sentir” pessoal se rebela contra conceitos(?) que nunca conseguiram quórum, porque de cada um de nós emerge uma teoria, como na definição do “Amor”.

Quando a complexidade é muita, proceder à racionalização através de uma questão concreta ajuda a perceber o todo e, se quisermos ser realmente verdadeiros… devemos esquecer todos as definições por outros emitidas e começar o nosso processo analítico da estaca zero.

Para estarmos todos em sintonia, vamos partir do pressuposto que os objectos em análise são as 3 peças de porcelana branca que vemos na imagem ou para os pintores de óleo, 3 telas em branco.


Temos então a questão concreta e, 2 perguntas no ar para racionalizar:

P - Só o facto de se pintar algo nestas peças já é “Arte” ? Se não, … o que é preciso "estar" lá para que sejam consideradas Peças de Arte ?

Dá-se assim por aberto o Fórum de Debates para a definição de “Arte Pictórica”.

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Las definiciones existen para explicar y demarcar los limites del objeto en análisis, para que cuando acerca del conversamos posamos estar todos en sintonía y …. A comunicar. Veamos un ejemplo sencillo: cuando alguien en el medio de un grupo habla de una pera, todos la identifican sin dificultad. Seguramente que hay peras con distintas características pero el concepto es unánime.

Si las definiciones de los objetos son relativamente fáciles a través de la forma, color, olor, sabor, texturas, etc., cuando busqué la definición de Arte pictórica, quedé soterrada de kilos de papel con múltiples conceptos, totalmente contrarios y que esa dificultad ya viene de los tiempos de las Calendas griegas.

Mi de cuenta que el “sentir” personal se rebela contra conceptos (?) que jamás lograran quórum, porque de cada un de nosotros emerge una teoría, como por ejemplo en la definición del Amor.

Cuando la complejidad es mucha, proceder a la racionalización a través de una cuestión concreta ayuda a entender el todo y, si queremos ser realmente verdaderos….. debemos olvidar todas las definiciones por otros emitidas y empezar el nuestro proceso analítico de la estaca zero.

Para estarnos todos en sintonía, vamos partir del presupuesto que los objetos en análisis son las 3 piezas de porcelana blanca que vemos en la imagen o para los pintores de óleo, 3 lienzos blancos.

Tenemos entonces la cuestión concreta y 2 preguntas en el aire para racionalizar:

P - ? Solo el acto de pintar algo en estas piezas ya es “Arte” ? Si no ... ?que es necesario tener ahí para que sean consideradas piezas de arte ?

Se considera así abierto el forum de debates para definición de “Arte Pictórica”.

4 comentários:

Elmar disse...

“Quando a complexidade é muita, proceder à racionalização através de uma questão concreta ajuda a perceber o todo e, se quisermos ser realmente verdadeiros… devemos esquecer todos as definições por outros emitidas e começar o nosso processo analítico da estaca zero.”

Professora vais, permitir-me discordar, não fosse eu das ciências exactas! Tudo ou quase tudo tem princípio nas definições, já que é aqui que nasce a exposição de uma coisa, o significado. E eu, para organizar ideias, preciso de me basear em definições. Assim sendo aqui fica a minha reflexão sobre o tema que propões.

Twyman (1982) divide as mensagens recebidas em dois canais: o auditivo e o visual. Subdividindo o canal visual tem-se a linguagem gráfica e a não gráfica (onde se encontra, por exemplo a linguagem gestual). A gráfica possui três modos de simbolização: o verbal, o pictórico e o esquemático (tudo o que não for decididamente verbal, numérico ou pictórico).
Comparando com a definição de linguagem visual de Horn (1998), o modo de simbolização verbal são as palavras, o modo de simbolização pictórico as imagens e o modo de simbolização esquemático são as formas.
Na linguagem cinematográfica, que trabalha com os dois canais, o auditivo e o visual, as imagens fotográficas são elementos de simbolização pictórica e as notações gráficas são elementos verbais que serve para comunicar mais eficientemente.
Utilizando a definição de que as imagens são utilizadas para comunicar, não podemos deixar de levar em consideração a intenção do autor. Porém algumas vezes ocorre uma distância entre o que a figura significa e o que seu autor quis significar. Torna-se essencial diferenciar a intenção do autor em dois tipos:
a) - a primeira, sendo uma intenção especifica de produzir uma imagem ( colocando informações que habilitarão o observador a identificar alguma coisa através de um modo de identificação pictorial
b) O segundo tipo como sendo uma intenção geral de representar alguma coisa de determinada maneira.
Então teremos a intenção pictorial, como sendo a de produzir um trabalho identificável pictoricamente e a intenção comunicativa, a de representar alguma coisa (Lopes, 1996).
Na minha perspectiva de Arte, a primeira será um autor muito bom em representação, aquilo a que na gíria se chama de “copista” e que em minha opinião não é Arte, pese o facto de a este autor podermos apelidar de Artista. Contudo é na pintura da paisagem como o impressionismo, no século XIX, em que a observação da natureza a partir de impressões pessoais e sensações visuais, que são os traços principais da renovação estilista empreendida por Monet, Renoir, Pissarro e tantos outros, seguidos mais tarde pelos neo-impressionistas que colocaram a sua ênfase na pesquisa científica da cor e assim por diante até por exemplo Matisse, que aparecem os grandes Artistas, ou seja, o “efeito de sentido”. Relativizar a semelhança ao sistema da representação falha em resolver o desafio da independência. As imagens podem assemelhar-se ao seu sistema, mas este facto não explica como é que as interpretamos. (Lopes, 1996:35).
É porque a magia pressupõe esta autonomia que ela pode servir para distinguir o uso artístico da imagem de sua função ordinária. Longe, de qualquer modo, de assumir que o uso faça a arte, por si só, ou que ou receptor ou o apreciador tenham, em si mesmos, o poder mágico de transmutar o ordinário em arte, o objecto banal em obra.
Diderot, neste sentido, põe-nos ainda sob o bom caminho, quando nos lembra do charme icónico que põe em obra o poder do artista original que não se assemelha a nenhuma pessoa em sua capacidade singular de produzir a ilusão da semelhança. (Chateau, 1997:95).

João Carvalho disse...

Eu para responder à 1ª pergunta recorro ao GOMBRICH:

"There really is no such thing as Art. There are only artists."

Com esta célebre frase de inicio do seu livro (The Story of Art) fica respondida a 1ª pergunta...

Que por sinal responde de imediato à 2ª!!!

Artistas somos todos nós...

Anónimo disse...

- P:.....?
- R: É.
Peguei nas peças e brinquei com elas um pouco na palma da minha mão não sei se com "arte", se sem ela.
Giraram, saltaram, caminharam dançaram, falaram (humanizei-as) e as devolvi, intactas, sem alterar a sua ordem.
Porque será que a Noémia, lhes deu esta disposição?
Porquê estas três peças e não outras?
Será que pensou no sentido matemático que lhes é inerente?
Pois é, só ela o sabe e, falando sério, aqui há mostras de "desassossego", ou seja, tenham as peças em questão a forma, textura, grandeza, ... que tiverem, traços, pintas, riscos, circunferências ou quadrados, cores e mais cores, esclarecem-nos de toda a agitação/movimento interna(o) do artista, que pela sua expressividade nos dá no seu vai-vem de sobreposições sem espaço nem tempo os trilhos do pictórico, comunicando, até ao pico mais alto de seu trabalho.

E.Babau

Pilar Burgos disse...

Creo que para definir una pieza de Arte deberíamos considerar que de por si la porcelana ya es una pieza artística. Todo en ella es maravilloso ... su transparencia, su finura, su delicadeza pero, para que la podamos considerar como pieza de Arte deberíamos pensar en diferentes puntos, tales como diseño, realización, colorido, creatividad, en una palabra - PERFECCIÓN.
En este material y según mi criterio no se puede pintar cualquier cosa. Si la pieza esta trabajada con esmero, limpieza y cariño, yo la considero una pieza de Arte.