31 julho, 2008

Cultura Maia

Calcorrear o mundo, apreciar o jeito de ser das gentes, os modismos e as questionáveis tradições, degustar a gastronomia local e apreender no meu espírito as vibrações das terras é, sem dúvida, o meu “Canto da Sereia”.

Numa das minhas passagens por terras Maias, no México, os meus olhos encaixilharam um registo que, perpetuei em porcelana.

Chamei-lhe Chulita, o nome que os mexicanos dão a uma menina engraçada.

No verso, fiz uma regressão ao passado Maia e Azteca harmonizando os símbolos de uma civilização semi preservada.
Trabalho realizado por Noémia Travassos
Os grãos de milho que completam o círculo central são o testemunho expresso e indubitável de uma riqueza que o tempo não prodigalizou e bem pelo contrário, foi deveras incrementada com a utilização de culturas transgênicas.

24 julho, 2008

"Sou Eu" de Fernando Pessoa

Para apresentar este meu trabalho de nome "Ilha da Madeira", escolhi um dos poemas inéditos de Fernando Pessoa com o qual muito me identifico.

"Sou eu, eu mesmo, tal qual resultei de tudo,
Espécie de acessório ou sobressalente próprio,
Arredores irregulares da minha emoção sincera,
Sou eu aqui em mim, sou eu.

Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou.
Quanto quis, quanto não quis, tudo isso me forma.
Quanto amei ou deixei de amar é a mesma saudade em mim.

E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco inconsequente,
Como de um sonho formado sobre realidades mistas,
De me ter deixado, a mim, num banco de carro eléctrico,
Para ser encontrado pelo acaso de quem se lhe ir sentar em cima.

E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco longínqua,
Como de um sonho que se quer lembrar na penumbra a que se acorda,
De haver melhor em mim do que eu.

Sim, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco dolorosa,
Como de um acordar sem sonhos para um dia de muitos credores,

De haver falhado tudo como tropeçar no capacho,
De haver embrulhado tudo como a mala sem as escovas,
De haver substituído qualquer coisa a mim algures na vida.

Baste! É a impressão um tanto ou quanto metafísica,
Como o sol pela última vez sobre a janela da casa a abandonar,
De que mais vale ser criança que querer compreender o mundo
A impressão de pão com manteiga e brinquedos
De um grande sossego sem Jardins de Prosérpina,
De uma boa-vontade para com a vida encostada de testa à janela,
Num ver chover com som lá fora
E não as lágrimas mortas de custar a engolir.

Baste, sim baste! Sou eu mesmo, o trocado,
O emissário sem carta nem credenciais,
O palhaço sem riso, o bobo com o grande fato de outro,
A quem tinem as campainhas da cabeça
Como chocalhos pequenos de uma servidão em cima.


Trabalho de Noémia Travassos

Sou eu mesmo, a charada sincopada

Que ninguém da roda decifra nos serões de província.

Sou eu mesmo, que remédio! ... "

21 julho, 2008

A Crescer, em Força Criadora

É com muito prazer que damos as boas vindas a mais elemento para a nossa lista dos Amigos da Porcelana, a Mirta Maseda de Rilo.

A Mirta, modela e pinta bonecas de porcelana lindíssimas e com uma expressividade fora do comum.
É uma arte que o tempo infelizmente vai apagando mas que para ela, é pura paixão.

Reparem no rostinho da sua Kimmie ....

Não vou levantar mais o véu. Prefiro que seja a Mirta a falar um pouco dela e, de como enveredou pela arte das Bonecas em Porcelana.

19 julho, 2008

Kimmie


Muñeca de Porcelana

Creada por Cindy Rolf

para la firma Lasting Impressions

Tampa - Florida

17 julho, 2008

Descodificar o Mundo com um Olhar

A primeira coisa que a Mena fez quando chegou à aula de terça feira foi, com um sorriso escondido e a apontar para a placa, perguntar – “Está pronto, professora ?”
O meu sim, aliviou-lhe um suspiro e iluminou-lhe o sorriso.

Na qualidade de formadora, é para mim um exercício muito interessante verificar as sinergias e as influências que acontecem no grupo mas que contudo, não interferem com as apetências dominantes de cada um. Para a Mena, o figurativo é um desafio que ela persegue e que a preenche.
É-lhe mais fácil pintar um leão que uma flor.

E como a experiência é mestria, os vários trabalhos realizados com rostos e animais, têm indubitavelmente dado os seus frutos.

Trabalho executado por Mena Alves

Ao observar esta menina, não posso deixar de imaginar o que vai naquele olhar enigmático ? Que peso terá a informação que a sua mente está a processar, no seu desenvolvimento pessoal ?

Parabéns Mena! Um trabalho com garra lindamente conseguido. Qual será o próximo ?

CIRCLE OF LIFE, by Noemia Travassos

13 julho, 2008

Como Pintar um Rosto, em porcelana

Executar um retrato, não é de todo um salto sem rede. É um desafio estimulante que apenas tem de seguir umas quantas regras básicas.

Para pintar um rosto, tendo por base uma fotografia, é essencial que a foto seja de boa qualidade. Os jogos de luz e sombra são extremamente importantes, porque criam a ilusão da 3ª dimensão. Outro factor importante, “a rede”/a garantia para o nosso salto perfeito são, boas tintas, óleo e pincéis apropriados.

Temos que observar atentamente que cada rosto, para além de ter uma tonalidade muito própria, é ainda influenciado pelas cores do meio envolvente.
Uma forma fácil de elegermos correctamente as cores a utilizar, é antes do trabalho, queimarmos uma paleta-modelo com cada uma das cores devidamente identificada com a sua referência.

Para este retracto, depois de passar as linhas principais para a porcelana, começamos por aplicar uma camada bem leve da cor- “1ª Base de Pele Clara”. Nos locais de luz mais intensa, nem se aplica cor. No final quando esfumarmos todo o rosto, essas partes ficam com tonalidades bem claras e subtis.

Ainda com a mesma cor, mas com o pincel ligeiramente mais carregado, definimos o nariz, as linhas dos olhos, sobrancelhas e orelhas. Na boca, usamos um rosa claro, retiram-se as luzes e voltamos a esfumar. É importante, sobretudo num rosto de criança que esses pormenores não fiquem demasiado fortes, pois perderia a toda a sua naturalidade.
Recordem que há sempre tempo para pôr mais escuro numa outra queima, porém o inverso já não é possível.
Passamos agora aos olhos. Damos uma tonalidade quase imperceptível de azul turquesa no globo ocular. Para executar a íris, temos que aplicar o tom mais claro que observamos na foto. Ou seja se os olhos são castanho escuros, aplicamos em toda a íris um castanho claro. Passamos depois a desenhar a menina do olho com negro e de imediato retiram-se a luzes. O cabelo segue um pouco o mesmo princípio. Se é loiro, pinta-se toda a base com tons de amarelo limão e esfuma-se.

Queima 1

Executada esta parte, que define todas as minudências, queimamos a 780º C.

Na segunda fase, vamos obter o efeito tridimensional ou dar-lhe a “alma”.
Observamos de novo a foto, o nosso trabalho queimado, a paleta-modelo das cores e identificamos qual a tonalidade a aplicar.

Para este caso, eu escolhi a cor “1ª Base de Pele Clara” misturada com a “1ª base de pele Escura”. Assim consegui uma cor intermédia adequada à tonalidade desta pequenita e apliquei por todo o rosto. Seguindo para a maças do rosto, aplica-se um pouquinho da cor “maças do Rosto” esfumando sempre. Com a cor “Sombra de rugas” muito suavemente, retocamos os pormenores das orelhas, nariz, pálpebras e pescoço. Reforçamos os lábios apenas com a “1ª Base de Pele Clara” e retiram-se as luzes.

Passamos para os olhos e aplicamos a cor castanha escura em toda a íris, inclusive sobre as luzes. Retiram-se de novo as luzes deixando perceber-se num ponto e noutro também o castanho claro.
Completam-se os olhos com a linha das pestanas, juntando um pouco de negro ao “Rich Brown”, usando um pincel bem fininho ou a caneta de canetar. Com ele também fazemos as pestanas, sempre muito leve e observando a direcção das mesmas. Com um pincel meio aberto e com um castanho claro fazem-se, bem ao de leve, as sobrancelhas e logo de seguida pelo mesmo processo o cabelo, usando a cor ocre.

Queima 2.
Temos a nossa menina pronta para a 2ª queima, mantendo os mesmos 780º C.

A terceira e ultima fase destina-se a dar, aquilo que eu costumo chamar - o toque mágico. Aqueles pequenos detalhes que dão realce, como por ex. uma maça de rosto com mais cor, o sombreado da testa e do nariz, os fios de cabelo e claro, terminar o fundo que elegemos para o nosso trabalho.
E assim termina o nosso rostinho. Vai queimar ? Não !

Eu deixo para o dia seguinte. Por vezes quando estamos a trabalhar durante 3 horas seguidas, passam-nos despercebidas correcções importantes. No dia seguinte, já descansados, olhamos para o trabalho com uma maior capacidade de crítica e aí sim, com todos os nossos sentidos apuradinhos, saltam-nos todas as falhas. Queimamos à 750º C.

Queima Final

Trabalho executado por Noémia Travassos

As tintas e o óleo que utilizei, são composições minhas que comercializo e estão disponíveis para venda, através do e-mail mencionado no meu perfil.

Experimentem, num rosto de 10 ou 15 cm para começar. É uma experiência envolvente que vão querer repetir e divirtam-se !

10 julho, 2008

LUSTRES


Continuando a falar de lustres... mais algumas dicas para obter os melhores resultados possíveis com um material tão sensível.
Os lustres, pelo peso dos metais de que se compõem, tendem a ganhar deposito , daí que se recomende que antes de usados se vire o frasco ao contrário por alguns momentos para que que se misture o metal com o solvente e se misture bem com uma vareta de vidro. Não deve agitar-se o frasco porque se formam bolhas de ar que na aplicação se mantêm e resultam em pequenas manchas pretas depois da queima. Para obter fundos de diversas cores com zonas de contacto agradavelmente fundidas umas nas outras e sem marcas de cor para cor, limpa-se a peça com um pano embebido em terebentina. Se a terebentina for aplicada a pincel antes dos lustres, estes escorrerão formando padrões interessantes. Efeitos semelhantes se podem conseguir esponjando um ou mais lustres e pulverizá-los com terebentina ou álcool, que abrirão espaços circulares no lustre, maiores ou menores dependendo do peso das gotas ( a terebentina é mais pesada do que o álcool) no caso de ser uma peça onde se possa fazer a aplicação na horizontal, nas peças redondas ocorrerá a formação de escorridos. No tempo frio é mais difícil aplicar lustres mas se a peça for aquecida uns minutos na mufla ou até mesmo mergulhada em água bem quente o lustre será mais fácil de aplicar e poderá trabalhar-se mais tempo sem que se cole aos pincéis e às esponjas. A peça que apresento para ilustrar os diversos efeitos conseguidos com os lustres foi executada por Teresa Campos Pereira, numa cópia livre de um trabalho de Peter Faust.
Espero que vos sejam úteis estes conselhos e bons trabalhos.

A União faz a Força

É com muita alegria que damos as boas vindas a mais uma AMIGA, do México, que se nos junta na divulgação da nossa belíssima Arte. (Es con mucha alegría que saludamos a llegada de una Amiga más, de México, que se nos junta para la divulgación de la nuestra bellísima arte).

A Lety Brito é uma excelente pintora de porcelana, cujo reconhecimento já lhe atribuiu vários prémios. Vive na cidade de Puebla a 100 Km da capital do México, considerada Património Cultural da Humanidade. Com um extenso curriculum artístico, a sua paixão por esta arte fê-la membro activo de várias Associações internacionais, entre elas do Clube de Puebla de Pintura em Porcelana e da Federação Mexicana de Pintores em Porcelana. (Lety Brito es una excelente pintora de porcelana, cuyo reconocimiento ya le ha atribuido varias premiaciones. Vive en la ciudad de Puebla, ubicada a 100 Km. de la capital de México y consignada como Patrimonio Cultural de la Humanidad. Con un extenso curriculum artístico, su pasión por esta arte la hecho miembro activo de variadas asociaciones, entre ellas el Club Puebla de pintura en Porcelana y la Federación Mexicana de Pintores en Porcelana.)
Esta Federação possui uma estrutura que muito me atrai, porque congrega todas as pequenas e médias associações regionais de todo o México, regulando-as e apadrinhando-as. ( Esta Federación tiene una estructura que me atrae, porque congrega todas las pequeñas y medias asociaciones regionales de México, regulando y protegiéndolas. )


Sê muito bem vinda Lety e, estamos ansiosos por ler os teus artigos e deleitar-nos com as tuas lindas peças de arte no nosso sitio net. Até lá, podemos visita-la no seu espaço em:
(¡Que seas muy bienvenida Lety ¡ Ya estamos con ansiedad en leer tus artículos y que nos encantes con tus preciosísimas piezas de arte, en este nuestro espacio net. Mientas, podemos visitarla en su sitio ubicado en:

www.geocities.com/arte_porcelana

02 julho, 2008

01 julho, 2008

Vaivém de Pensamentos Pintados

Era uma vez...... uma menina de olhos cor de mel, princesa dum reino encantado, daqueles onde o vaivém dos pensamentos sublimes, voam nas asas de felizes mini fadas.

Com uma destas visualizações, comecei a criar e a projectar em papel, um quadro que caracterizasse a minha querida sobrinha Mika.

Optei por fazer o rosto numa placa de porcelana, dando realce aos seus olhos expressivos e à sua boca sensual.

Numa placa de madeira (mdf) e com tintas acrílicas, materializei o vaivém dos pensamentos em azul, como se fosse água, levada no regaço de uma fada alada.

O conjunto, ficou assim e ela.... ADOROU !

Trabalho realizado por Noémia Travassos