24 julho, 2008

"Sou Eu" de Fernando Pessoa

Para apresentar este meu trabalho de nome "Ilha da Madeira", escolhi um dos poemas inéditos de Fernando Pessoa com o qual muito me identifico.

"Sou eu, eu mesmo, tal qual resultei de tudo,
Espécie de acessório ou sobressalente próprio,
Arredores irregulares da minha emoção sincera,
Sou eu aqui em mim, sou eu.

Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou.
Quanto quis, quanto não quis, tudo isso me forma.
Quanto amei ou deixei de amar é a mesma saudade em mim.

E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco inconsequente,
Como de um sonho formado sobre realidades mistas,
De me ter deixado, a mim, num banco de carro eléctrico,
Para ser encontrado pelo acaso de quem se lhe ir sentar em cima.

E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco longínqua,
Como de um sonho que se quer lembrar na penumbra a que se acorda,
De haver melhor em mim do que eu.

Sim, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco dolorosa,
Como de um acordar sem sonhos para um dia de muitos credores,

De haver falhado tudo como tropeçar no capacho,
De haver embrulhado tudo como a mala sem as escovas,
De haver substituído qualquer coisa a mim algures na vida.

Baste! É a impressão um tanto ou quanto metafísica,
Como o sol pela última vez sobre a janela da casa a abandonar,
De que mais vale ser criança que querer compreender o mundo
A impressão de pão com manteiga e brinquedos
De um grande sossego sem Jardins de Prosérpina,
De uma boa-vontade para com a vida encostada de testa à janela,
Num ver chover com som lá fora
E não as lágrimas mortas de custar a engolir.

Baste, sim baste! Sou eu mesmo, o trocado,
O emissário sem carta nem credenciais,
O palhaço sem riso, o bobo com o grande fato de outro,
A quem tinem as campainhas da cabeça
Como chocalhos pequenos de uma servidão em cima.


Trabalho de Noémia Travassos

Sou eu mesmo, a charada sincopada

Que ninguém da roda decifra nos serões de província.

Sou eu mesmo, que remédio! ... "

21 julho, 2008

A Crescer, em Força Criadora

É com muito prazer que damos as boas vindas a mais elemento para a nossa lista dos Amigos da Porcelana, a Mirta Maseda de Rilo.

A Mirta, modela e pinta bonecas de porcelana lindíssimas e com uma expressividade fora do comum.
É uma arte que o tempo infelizmente vai apagando mas que para ela, é pura paixão.

Reparem no rostinho da sua Kimmie ....

Não vou levantar mais o véu. Prefiro que seja a Mirta a falar um pouco dela e, de como enveredou pela arte das Bonecas em Porcelana.

19 julho, 2008

Kimmie


Muñeca de Porcelana

Creada por Cindy Rolf

para la firma Lasting Impressions

Tampa - Florida

17 julho, 2008

Descodificar o Mundo com um Olhar

A primeira coisa que a Mena fez quando chegou à aula de terça feira foi, com um sorriso escondido e a apontar para a placa, perguntar – “Está pronto, professora ?”
O meu sim, aliviou-lhe um suspiro e iluminou-lhe o sorriso.

Na qualidade de formadora, é para mim um exercício muito interessante verificar as sinergias e as influências que acontecem no grupo mas que contudo, não interferem com as apetências dominantes de cada um. Para a Mena, o figurativo é um desafio que ela persegue e que a preenche.
É-lhe mais fácil pintar um leão que uma flor.

E como a experiência é mestria, os vários trabalhos realizados com rostos e animais, têm indubitavelmente dado os seus frutos.

Trabalho executado por Mena Alves

Ao observar esta menina, não posso deixar de imaginar o que vai naquele olhar enigmático ? Que peso terá a informação que a sua mente está a processar, no seu desenvolvimento pessoal ?

Parabéns Mena! Um trabalho com garra lindamente conseguido. Qual será o próximo ?

CIRCLE OF LIFE, by Noemia Travassos

13 julho, 2008

Como Pintar um Rosto, em porcelana

Executar um retrato, não é de todo um salto sem rede. É um desafio estimulante que apenas tem de seguir umas quantas regras básicas.

Para pintar um rosto, tendo por base uma fotografia, é essencial que a foto seja de boa qualidade. Os jogos de luz e sombra são extremamente importantes, porque criam a ilusão da 3ª dimensão. Outro factor importante, “a rede”/a garantia para o nosso salto perfeito são, boas tintas, óleo e pincéis apropriados.

Temos que observar atentamente que cada rosto, para além de ter uma tonalidade muito própria, é ainda influenciado pelas cores do meio envolvente.
Uma forma fácil de elegermos correctamente as cores a utilizar, é antes do trabalho, queimarmos uma paleta-modelo com cada uma das cores devidamente identificada com a sua referência.

Para este retracto, depois de passar as linhas principais para a porcelana, começamos por aplicar uma camada bem leve da cor- “1ª Base de Pele Clara”. Nos locais de luz mais intensa, nem se aplica cor. No final quando esfumarmos todo o rosto, essas partes ficam com tonalidades bem claras e subtis.

Ainda com a mesma cor, mas com o pincel ligeiramente mais carregado, definimos o nariz, as linhas dos olhos, sobrancelhas e orelhas. Na boca, usamos um rosa claro, retiram-se as luzes e voltamos a esfumar. É importante, sobretudo num rosto de criança que esses pormenores não fiquem demasiado fortes, pois perderia a toda a sua naturalidade.
Recordem que há sempre tempo para pôr mais escuro numa outra queima, porém o inverso já não é possível.
Passamos agora aos olhos. Damos uma tonalidade quase imperceptível de azul turquesa no globo ocular. Para executar a íris, temos que aplicar o tom mais claro que observamos na foto. Ou seja se os olhos são castanho escuros, aplicamos em toda a íris um castanho claro. Passamos depois a desenhar a menina do olho com negro e de imediato retiram-se a luzes. O cabelo segue um pouco o mesmo princípio. Se é loiro, pinta-se toda a base com tons de amarelo limão e esfuma-se.

Queima 1

Executada esta parte, que define todas as minudências, queimamos a 780º C.

Na segunda fase, vamos obter o efeito tridimensional ou dar-lhe a “alma”.
Observamos de novo a foto, o nosso trabalho queimado, a paleta-modelo das cores e identificamos qual a tonalidade a aplicar.

Para este caso, eu escolhi a cor “1ª Base de Pele Clara” misturada com a “1ª base de pele Escura”. Assim consegui uma cor intermédia adequada à tonalidade desta pequenita e apliquei por todo o rosto. Seguindo para a maças do rosto, aplica-se um pouquinho da cor “maças do Rosto” esfumando sempre. Com a cor “Sombra de rugas” muito suavemente, retocamos os pormenores das orelhas, nariz, pálpebras e pescoço. Reforçamos os lábios apenas com a “1ª Base de Pele Clara” e retiram-se as luzes.

Passamos para os olhos e aplicamos a cor castanha escura em toda a íris, inclusive sobre as luzes. Retiram-se de novo as luzes deixando perceber-se num ponto e noutro também o castanho claro.
Completam-se os olhos com a linha das pestanas, juntando um pouco de negro ao “Rich Brown”, usando um pincel bem fininho ou a caneta de canetar. Com ele também fazemos as pestanas, sempre muito leve e observando a direcção das mesmas. Com um pincel meio aberto e com um castanho claro fazem-se, bem ao de leve, as sobrancelhas e logo de seguida pelo mesmo processo o cabelo, usando a cor ocre.

Queima 2.
Temos a nossa menina pronta para a 2ª queima, mantendo os mesmos 780º C.

A terceira e ultima fase destina-se a dar, aquilo que eu costumo chamar - o toque mágico. Aqueles pequenos detalhes que dão realce, como por ex. uma maça de rosto com mais cor, o sombreado da testa e do nariz, os fios de cabelo e claro, terminar o fundo que elegemos para o nosso trabalho.
E assim termina o nosso rostinho. Vai queimar ? Não !

Eu deixo para o dia seguinte. Por vezes quando estamos a trabalhar durante 3 horas seguidas, passam-nos despercebidas correcções importantes. No dia seguinte, já descansados, olhamos para o trabalho com uma maior capacidade de crítica e aí sim, com todos os nossos sentidos apuradinhos, saltam-nos todas as falhas. Queimamos à 750º C.

Queima Final

Trabalho executado por Noémia Travassos

As tintas e o óleo que utilizei, são composições minhas que comercializo e estão disponíveis para venda, através do e-mail mencionado no meu perfil.

Experimentem, num rosto de 10 ou 15 cm para começar. É uma experiência envolvente que vão querer repetir e divirtam-se !

10 julho, 2008

LUSTRES


Continuando a falar de lustres... mais algumas dicas para obter os melhores resultados possíveis com um material tão sensível.
Os lustres, pelo peso dos metais de que se compõem, tendem a ganhar deposito , daí que se recomende que antes de usados se vire o frasco ao contrário por alguns momentos para que que se misture o metal com o solvente e se misture bem com uma vareta de vidro. Não deve agitar-se o frasco porque se formam bolhas de ar que na aplicação se mantêm e resultam em pequenas manchas pretas depois da queima. Para obter fundos de diversas cores com zonas de contacto agradavelmente fundidas umas nas outras e sem marcas de cor para cor, limpa-se a peça com um pano embebido em terebentina. Se a terebentina for aplicada a pincel antes dos lustres, estes escorrerão formando padrões interessantes. Efeitos semelhantes se podem conseguir esponjando um ou mais lustres e pulverizá-los com terebentina ou álcool, que abrirão espaços circulares no lustre, maiores ou menores dependendo do peso das gotas ( a terebentina é mais pesada do que o álcool) no caso de ser uma peça onde se possa fazer a aplicação na horizontal, nas peças redondas ocorrerá a formação de escorridos. No tempo frio é mais difícil aplicar lustres mas se a peça for aquecida uns minutos na mufla ou até mesmo mergulhada em água bem quente o lustre será mais fácil de aplicar e poderá trabalhar-se mais tempo sem que se cole aos pincéis e às esponjas. A peça que apresento para ilustrar os diversos efeitos conseguidos com os lustres foi executada por Teresa Campos Pereira, numa cópia livre de um trabalho de Peter Faust.
Espero que vos sejam úteis estes conselhos e bons trabalhos.

A União faz a Força

É com muita alegria que damos as boas vindas a mais uma AMIGA, do México, que se nos junta na divulgação da nossa belíssima Arte. (Es con mucha alegría que saludamos a llegada de una Amiga más, de México, que se nos junta para la divulgación de la nuestra bellísima arte).

A Lety Brito é uma excelente pintora de porcelana, cujo reconhecimento já lhe atribuiu vários prémios. Vive na cidade de Puebla a 100 Km da capital do México, considerada Património Cultural da Humanidade. Com um extenso curriculum artístico, a sua paixão por esta arte fê-la membro activo de várias Associações internacionais, entre elas do Clube de Puebla de Pintura em Porcelana e da Federação Mexicana de Pintores em Porcelana. (Lety Brito es una excelente pintora de porcelana, cuyo reconocimiento ya le ha atribuido varias premiaciones. Vive en la ciudad de Puebla, ubicada a 100 Km. de la capital de México y consignada como Patrimonio Cultural de la Humanidad. Con un extenso curriculum artístico, su pasión por esta arte la hecho miembro activo de variadas asociaciones, entre ellas el Club Puebla de pintura en Porcelana y la Federación Mexicana de Pintores en Porcelana.)
Esta Federação possui uma estrutura que muito me atrai, porque congrega todas as pequenas e médias associações regionais de todo o México, regulando-as e apadrinhando-as. ( Esta Federación tiene una estructura que me atrae, porque congrega todas las pequeñas y medias asociaciones regionales de México, regulando y protegiéndolas. )


Sê muito bem vinda Lety e, estamos ansiosos por ler os teus artigos e deleitar-nos com as tuas lindas peças de arte no nosso sitio net. Até lá, podemos visita-la no seu espaço em:
(¡Que seas muy bienvenida Lety ¡ Ya estamos con ansiedad en leer tus artículos y que nos encantes con tus preciosísimas piezas de arte, en este nuestro espacio net. Mientas, podemos visitarla en su sitio ubicado en:

www.geocities.com/arte_porcelana

02 julho, 2008

Artes & Artistas

Uma pequena mostra de algumas das nossas obras. Vejam como nos divertidos com a diversidade!

01 julho, 2008

Vaivém de Pensamentos Pintados

Era uma vez...... uma menina de olhos cor de mel, princesa dum reino encantado, daqueles onde o vaivém dos pensamentos sublimes, voam nas asas de felizes mini fadas.

Com uma destas visualizações, comecei a criar e a projectar em papel, um quadro que caracterizasse a minha querida sobrinha Mika.

Optei por fazer o rosto numa placa de porcelana, dando realce aos seus olhos expressivos e à sua boca sensual.

Numa placa de madeira (mdf) e com tintas acrílicas, materializei o vaivém dos pensamentos em azul, como se fosse água, levada no regaço de uma fada alada.

O conjunto, ficou assim e ela.... ADOROU !

Trabalho realizado por Noémia Travassos


24 junho, 2008

A arte e a ciência das fotos Kirlian

Ainda pouco conhecida do público em geral, as fotografias Kirlian desde há muito que me prendem a atenção. De que se trata ? Deixo-vos aqui com um pouco da sua história.
(Aun poco conocida del público en general, las fotos Kirlian toman mi atención, hace mucho tiempo.)
Foi o russo Semyon Davidovich Kirlian que, em 1939 deu a conhecer ao mundo a técnica que viria a ser conhecida por "efeito Kirlian". O método consiste em fotografar um objecto com um negativo fotográfico submetido a campos eléctricos de alta voltagem e alta frequência, porém com baixa intensidade de corrente.
(Fue el ruso Semyon Davidovich Kirlian que, en 1939 ha dado a conocer al mundo la técnica que vendría a ser conocida por efecto Kirlian. El método consiste en fotografiar un objeto con un negativo fotográfico, sobre la influencia de campos eléctricos de alta voltaje y alta frecuencia, pero con baja intensidad de corriente.)

O resultado é o aparecimento de um "halo luminoso" em torno dos objectos.

Desde então na antiga URSS, vêm-se realizando muitas pesquisas mas, até ao momento não há evidências conclusivas (conhecidas) daquilo que é efectivamente registado nas fotos.
(En resultado aparece un círculo luminoso alrededor de los objetos. Desde entonces en la antigua URSS, se han realizado muchas pesquisas pero hasta el momento no hay evidencias conclusivas (conocidas) de lo que es efectivamente registrado en las fotos.)

No entanto, a utilização da fotografia Kirlian ou bioelectrografia foi aprovada em 1999 pelo Ministério da Saúde da Federação Russa e, está a ser utilizada como um auxiliar de diagnóstico médico, na sequência de um estudo realizado na Universidade Governamental de Medicina de São Petersburgo.
Sabe-se que o efeito obtido, ou seja o halo luminescente, varia com os objectos.
(A pesar de todo, la utilización de la fotografía Kirlian o bioeletrografía fue aprobada en 1999 pelo Ministerio de la Salud de la federación Rusa y esta siendo utilizada como herramienta auxiliar de diagnostico medico, en resultado de un estudio realizado en la Universidad de Medicina de san Petersburgo. E conocido que el efecto obtenido, o sea el círculo luminiscente, cambia de acuerdo con los objetos utilizados.)

Atrevi-me a fazer um ensaio de ilustração científica .... não sobre um negativo fotográfico mas sobre uma placa de porcelana, usando pincéis, lustres e tintas de porcelana. Pedi a mão emprestada ao meu filho Marco, para impregnar a tinta com as impressões digitais e, retractei assim o seu registo bioelectrográfico.
(Me atreví a hacer un ensayo de ilustración científica, no sobre un negativo pero sobre una placa de porcelana, usando pinceles, lustrinas y pinturas de para porcelana. Pedí prestada la mano a mi hijo Marco para impregnar la pintura con sus impresiones digitales y retraté así su registro bioeletrografico.)

20 junho, 2008

Bagos d' Uva: Noémia Travassos na ilha Terceira

Descobri que não passamos despercebidas em lado nenhum.

Na visita às famosas caves do vinho verdelho em Biscoitos, a Pilar Burgos e eu fomos apanhadas num flagrante. O nosso simpático anfitrião, deu-nos a conhecer todos os detalhes da produção bem suada, do vinho nascido em terras de lava solidificada.

Oram vejam,

Bagos d' Uva: Noémia Travassos na ilha Terceira

19 junho, 2008

Un Delfín saltando de entre las olas

Para asistir a la Convención Internacional de Campos de Jordao en Brasil y cuyo tema fue la Ecología opte por pintar una lámpara con Los Planetas y el Mar.
(Para participar na Convenção Internacional de Campos do Jordão, no Brasil cujo tema fui a Ecologia, optei por pintar um candeeiro com os planetas e o mar.)

En el frente La Luna y un Delfín saltando de entre las olas, la Osa Mayor y Menor
rodeadas de estrellas en un fondo de cielo azul oscuro.
(Pela frente, a Lua e um golfinho saltando das ondas, as constelações Ursa Maior e Menor rodeadas de estrelas num fundo de céu azul escuro.)

Trabajo realizado por Pilar Burgos

En la parte posterior de la misma hay varios planetas, una galaxia el mar y diferentes estrellas.
(Na parte de trás do mesmo há vários planetas, uma galáxia, o mar e diferentes estrelas.)

Me resultó muy bonito el realizar este trabajo ya que según pintaba iba viendo como plasmaba lo que tenia en mi mente.
(Obtive um efeito muito bonito na execução deste trabalho, já que conforme ia pintando, podia visualizar a materialização do projecto que tinha em mente.)

En esta Convención me concedieron el honor de premiarme con el 2º Lugar de la misma.
(Nesta Convenção concederam-me a honra de receber o 2º prémio. )

16 junho, 2008





Peça de Peter Faust.


Para falar sobre lustres nada melhor que usar a imagem de um trabalho do Artista Peter Faust, que para além da criatividade e imensa mestria com que transforma as peças de porcelana em verdadeiras obras de arte é um conhecedor do trabalho com lustres, não só pelo conhecimento teórico dos mesmos , mas também pela experiência e experimentação de anos.

Dele e sobre lustres e sua utilização, deixo aqui alguns apontamentos retirados de um dos livros de sua autoria.

Os lustres são compostos metálicos dissolvidos em produtos orgânicos, que se apresentam liquidos e de cor acastanhada, tal como o ouro e a prata, antes de queimados.

Aplicados sobre vidrado, seja de cerâmica ou porcelana, e depois de queimados, resultam em superfícies suaves e iridiscentes, de cores fortes ou delicadas, dependendo do método usado na aplicação.

As cores puras são normalmente fortes e profundas, podendo ser diluidas com um diluente próprio para lustres, o que permite vários matizes da mesma cor. Quando aplicados em camada espessa pode ocorrer que saltem ou resultem sujos e baços depois da queima. Também se recomenda que se usem pincéis perfeitamente limpos, de preferência um para cada cor e esponjas novas para que o efeito final seja o mais perfeito possível.

Muito mais há a dizer sobre este material surpreendente nos seus resultados finais, criando sempre ansiedade na hora de abrir a mufla e não raras vezes defraudando as nossas expectativas, mas para não me tornar maçadora, em nova oportunidade continuarei a partilhar estas preciosas informações e dicas que traduzi livremente e apenas com a finalidade de as proporcionar a quem não tem, nem o tempo nem a paciência, para o fazer.


Até breve e bons trabalhos.


15 junho, 2008

Dando forma às peças

( continuação)

O processo de dar forma ao prato ou ao molde da argamassa começa na máquina de tornear. Existem dois torneadores: um para a porcelana branca e um para a porcelana cor marfim (argamassa verde).
A argamassa é empurrada através de uma outra extrusora para remover qualquer excesso de ar. Um fatiador gigante divide cada argamassa em vária colunas de argila.
Cada coluna de argila é colocada em cima de um molde de prato, que começa a girar. Um torno suspenso também começa a girar e pressiona a fatia da argamassa que está no molde de prato. Uma ferramenta de cortar rebarbas corta o excesso de argila da borda do novo prato formado de cerâmica crua.
As fatias da argamassa são colocadas nos moldes de produção
O excesso de argila cai sobre uma correia transportadora que segue para a reciclagem. Esta argila que sobrou será misturada à água para criar uma pasta que eventualmente irá para um lote de mistura final.
Os pratos de cerâmica crua passam por um secador de moldes, depois são removidos e passam por um segundo secador. Neste ponto, o nível de umidade da argila passou de 20% para 0,5%. Os pratos vão para uma máquina de acabamento para que esponjas úmidas possam deixar lisas as beiradas de cada prato.
Os pratos são inspecionados por funcionários quando saem da máquina de acabamento e depois são colocados em modeladores. Esses são muito parecidos com os moldes de gesso, porém, feitos com um material mais resistente que possa aguentar as temperaturas extremas dos fornos. Os modeladores que carregam os pratos são empilhados em prateleiras de metal para que passem pelo forno. Eles desempenham um papel importante. pois os pratos estão ainda muito maleáveis (podem se dobrar) e, desta forma, asseguraram que os pratos mantenham a sua forma no forno.
Existem máquinas diferentes para moldar xícaras, canecas e pequenas tigelas. As xícaras passam por uma máquina torneadora similar à máquina de pratos e como mencionado anteriormente, a argamassa usada têm 15% de umidade. Assim que a forma básica da xícara é feita na máquina torneadora, ela é passada através de uma máquina perfiladora. Finalmente uma lâmina de carbureto dá forma ao pé e à lateral de cada xícara.
Os cabos são colocados manualmente em xícaras e estas são enviadas para a área de acabamento. Usando pequenas facas de acabamento, água e esponjas, funcionários alisam a borda e o pé de cada xícara e se certificam de que cada cabo está bem colocado. As xícaras acabadas são colocadas em pequenos modeladores, chamados de chums, e empilhadas em prateleiras que irão ao forno.

Na área de moldagem, dezoito discos de madeira rotativos ficam em cima de uma grande mesa redonda e,em cima de cada um destes discos existe um molde. Cada molde é composto por partes unidas por tiras vermelhas. Três mangueiras ficam penduradas: uma para o ar, uma para argila branca e outra para argila cor marfim. Estas mangueiras são usadas para preencher cada molde com argila líquida ou barbotina.
Como o molde é composto por vários pedaços, existem marcas na cerâmica crua que mostram o encaixe dos moldes. Os funcionários usam esponjas molhadas e facas de acabamento para alisar a superfície e remover as marcas de encaixe deixadas na peça.
Peças de argila crua que não foram queimadas no forno são chamadas de cerâmica crua. (não confunda com peças de argila de cor verde que indicam um produto acabado da cor marfim). As peças que passaram pelo forno são chamadas de cerâmica branca. Assim que a cerâmica crua estiver completa, ela está pronta para ser queimada no forno.
Factos interessantes:

· Uma prato de cerâmica crua de 30,5 cm encolherá para 25,4 cm depois de ter sido queimado no forno.

· Hoje, jáse produz um tipo de porcelana que pode ser usada nos fornos de microondas.

· Da matéria-prima ao prato acabado são necessários de 3 a 4 dias para fabricar uma peça de porcelana de ossos da Lenox.

Logo que as peças de cerâmica crua (da modelagem da argamassa ou do molde da barbotina) são finalizadas, elas são empilhadas nas prateleiras de metal e enviadas para as linhas transportadoras (áreas de espera). Eventualmente, serão movidas pela correia transportadora através de um forno a gás. Esse forno a gás tem 41 m de comprimento e funciona em ciclos de nove horas. Isto significa que cada peça de cerâmica crua é queimada exatamente por 9 horas. A temperatura dentro deste forno é de 1.254º C.

Depois que a cerâmica branca é retirada do forno, cada peça leva um banho. Pedras macias e água são usadas para polir cada peça de porcelana. A vibração das pedras alisa o lado externo. Peças recém saídas do forno têm uma textura parecida com uma lixa fina. Este processo é chamado de acabamento vibratório.

Depois do acabamento, a cerâmica branca é colocada em uma lavadora e secadora de louça industrial gigante. Na saída da máquina, cada peça de porcelana é detalhadamente inspecionada a procura de falhas ou danos. As peças que passaram na inspeção seguem para o processo de vitrificação.
A maioria das pessoas só usa peças de boa porcelana em ocasiões especiais, porque consideram essas peças muito frágeis. Mas isto não é verdade: a porcelana é muito mais resistente do que se pensa.
O que faz a porcelana ser tão resistente? Já mencionamos um destes aspectos: as cinzas de ossos. Outro fator é a vitrificação. Pense nisto como vidro líquido que uma vez aquecido, forma uma incrível e forte camada protetora. O processo de vitrificação na Lenox é muito interessante.
Cada peça de porcelana deve ser pré-aquecida para que a camada de vidro grude na superfície. A camada de vidro é bombeada de enormes tanques pendurados na área de vitrificação.
Pré-aquecimento
Tendo aparência similar a um lava-rápido automático, a cabine de vitrificação contém cerca de doze pistolas de pulverização. Para os pratos que estão sendo vitrificados, oito destas pistolas estão em uso para que cada parte da peça seja coberta. Os pratos que estão em cima das prateleiras de metal são empurrados através de um fluxo contínuo de vitrificação. Uma parede de água corrente (parecida com uma série de cachoeiras) fica de frente para as pistolas de pulverização.

A série de cachoeiras tem um propósito econômico interessante. A água pega a névoa de vidro líquido que não adere à argila. O interessante é que a camada de vidro que está sendo pulverizada é mais pesada do que a água. Após a água da cabine de vitrificação ser deixada em repouso por um tempo, a camada de vitrificação que foi pulverizada e escorreu com a água pode ser recolhida e reutilizada.
Antes de ser colocada no forno de esmaltação que tem 56 m de comprimento, o pé (base) de cada peça de porcelana deve ser limpo com uma esponja úmida para que não grude no forno.
O forno funciona por oito horas e meia a 1.104º C. Diferentemente do primeiro forno (a gás), este forno usa gás e eletricidade.
Para a maioria dos fornos, existe um estágio de aquecimento, uma zona quente ou estágio de impregnação e um estágio de resfriamento. No forno de esmaltação, os estágios funcionam desta maneira:
· três horas para o aquecimento
· duas horas e meia para a impregnação
· três horas para o resfriamento
Durante a impregnação, existe muita turbulência no forno a gás. Como um acabamento por igual é necessário na vitrificação, o estágio da impregnação do forno de esmaltação é movido à eletricidade.

Depois do forno de esmaltação, a cerâmica branca é inspecionada de novo. Qualquer beirada desigual ou pontas que existirem no pé da cerâmica branca são desgastadas na roda de diamante.
Peças sendo desgastadas
A cerâmica branca está pronta para os decalques e a decoração.