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26 fevereiro, 2009

Alma e Realidade ... Duas Paisagens Sobrepostas

Ainda sobre a temática do conceito de "Arte", e como forma de apresentação dos trabalhos destas artistas deixo-vos uma reflexão, deveras interessante, de Fernando Pessoa:


" 1 - Em todo o momento de actividade mental acontece em nós um duplo fenómeno de percepção: ao mesmo tempo que temos consciência de um estado de alma, temos diante de nós, impressionando-nos os sentidos que estão virados para o exterior, uma paisagem qualquer, entendendo por paisagem, para conveniência de frases, tudo o que forma o mundo exterior num determinado momento da nossa percepção.

2 - Todo o estado de alma é uma passagem.
Isto é, todo o estado de alma é não só representável por uma paisagem, mas verdadeiramente uma paisagem. Há em nós um espaço interior onde a matéria da nossa vida física se agita.
Assim uma tristeza é um lago morto dentro de nós, uma alegria um dia de sol no nosso espírito. E mesmo que se não queira admitir que todo o estado de alma é uma paisagem, pode ao menos admitir-se que todo o estado de alma se pode representar por uma paisagem.
Se eu disser "Há sol nos meus pensamentos", ninguém compreenderá que os meus pensamentos são tristes.

Trabalho de Filomena Alves

3 - Assim, tendo nós, ao mesmo tempo, consciência do exterior e do nosso espírito, e sendo o nosso espírito uma paisagem, temos ao mesmo tempo consciência de duas paisagens.

Ora, essas paisagens fundem-se, interpenetram-se, de modo que o nosso estado de alma, seja ele qual for, sofre um pouco da paisagem que estamos vendo - num dia de sol uma alma triste não pode estar tão triste como num dia de chuva e, também, a paisagem exterior sofre do nosso estado de alma - é de todos os tempos dizer-se, sobretudo em verso, coisas como que «na ausência da amada o sol não brilha», e outras coisas assim.

Trabalho de Elsa Machado
De maneira que a arte que queira representar bem a realidade terá de a dar através duma representação simultânea da paisagem interior e da paisagem exterior.
Resulta que terá de tentar dar uma intersecção de duas paisagens.
Têm de ser duas paisagens, mas pode ser - não se querendo admitir que um estado de alma é uma paisagem - que se queira simplesmente inter-seccionar um estado de alma (puro e simples sentimento) com a paisagem exterior. [...]"

Fernando Pessoa, in 'Cancioneiro'


01 fevereiro, 2009

Nós e uma Noz

Captar com um pincel a beleza desta noz no seu berço, foi o desafio a que a pintora Elsa Machado chamou de compromisso. Durante três aulas mergulhou nos tons de verde, lutou com efeitos tridimensionais e deu alma àquela tímida noz. Desafio certamente muito bem superado não acham?

Um Trabalho de Elsa Machado
Mas a noz não é só linda de se ver, é também um alimento riquíssimo.

É especialmente rica em vitamina E, um poderoso antioxidante cardiovascular, contém proteínas, magnésio, potássio, fósforo, ferro e zinco, o que a tornam num alimento completo e saudável.

Devido ao seu teor em fósforo (288 mg/100g) e magnésio (160mg/g), é indicada para pessoas sujeitas a grande desgaste intelectual e constitui um tónico cerebral, que alimenta as células nervosas.

Aliás, as semelhanças entre o encéfalo humano e uma noz são bastante curiosas.

25 setembro, 2008

Paleta de Cores Mágicas

Há palavras que tocam a nossa sensibilidade, que nos enlevam de ternura e que nos mostram que vale a pena viver !

"A caixa renovada do Tino!
A minha caixa de Tintas… A minha paleta de cores!
Entre muitas paixões na minha vida a pintura esteve sempre presente.
Um dia resolvi arranjar uma caixinha de pintura onde não faltasse cor nenhuma e com elas pudesse encher a minha tela ou porcelana de amor e ternura!
Quando a abri pela primeira vez, era como se estivesse a abrir um tesouro!
Olhei-a e vi que tinha todas as cores, cores brilhantes, cores doces e meigas.
O vermelho para pintar a paixão!
O preto para pintar a tristeza e o desgosto que a paixão e o amor por vezes arrastam consigo!
O amarelo para pintar as areias quentes, os girassóis e as rosas!
O laranja para pintar o pôr-do-sol a deitar-se sobre o azul do mar e dos céus!
Os azuis de várias tonalidades para preencher todo o horizonte!
O verde para pintar campos e jardins!O castanho para pintar ninhos e as folhas velhas a caírem das árvores!
O Turquesa para pintar os sonhos e o carinho do abraço de uma criança!
Não tinha o branco, a cor menos usada da minha caixa...Mas eu queria pintar a Paz!
Mas essa é a mais difícil de pintar!
Porque a Paz é algo tão fugidio... o mundo vive em constantes agitações.
O nosso coração também vive sempre ansioso, em conflito ou com medos!
Por isso não fui capaz de pintar a Paz!
Mesmo assim vou enchendo o branco de cores , dando formas, criando sonhos e fazendo crescer fantasias...Com a minha Caixinha de Tintas e com a minha Paleta de azulejo, cheia de cores, vou criando um mundo mágico como uma criança que brinca ao faz de conta.
Eu também viajo entre tintas e pincéis, vejo o outro lado do mundo com o meu olhar ora sereno, ora agitado! Mas é a minha forma de ver o mundo...e deixar entrar a luz em meu coração!
Bem, as minhas tintas estão a chamar por mim...sentem saudades do meu jeito desajeitado...estão cansadas de estar fechadas, mescladas e não serem usadas... Todo o ser humano e todos os objectos querem ser tocados , é uma forma de se sentirem desejados e úteis!
Tenho andado longe delas!!!
Vou dar carinho à minha caixinha e enchê-la de novas cores fortes e doces!...E abri-la de novo como um tesouro!
Elmar
24 Setembro, 2008 07:57 "

Encontrei essas palavras ternurentas escondidas atrás de um comentário da autoria da Elsa. Tomei a liberdade de as trazer para a ribalta e de as partilhar com todos.
Este é também um trabalho de sua autoria, um exemplo vivo do que ela faz com a sua "Caixinha de Tintas".

20 fevereiro, 2008

Maçã


Tão absorta, estava depois do último sonho, que o olhar permaneceu vago por um bom tempo.
Fixo num ponto infinito do qual, esperava, se salvaria alguma ideia, algum projecto!
Acordou para uma maçã à sua frente.
Uma maçã vermelha com rajadas de amarelo, leve no seu perfume, orvalhada na sua tona.
De repente, assim, sem mais, entrou na maçã, tão calorosamente quanto a presumia, extraindo-lhe o silêncio e a luminosidade que lhe pareceram, naquele instante, a sua última escala de sofisticação reflectida nas suas mil pérolas de água reluzente.
Foi se fazendo maçã, avermelhando-se toda em gotinhas vermelhas.
Num zanzar de luzes, sentiu-se a própria macieza da casca. E tão macia ficou que de repente o susto. Então de volta, vaga, absorta, olhando novamente acordada aquela coisa vermelhusca à sua frente: a insuportável beleza de perfeição de cor sedosa a fustigar uma inveja que sentia brotar no desejo de uma trinca.
Mas, a tal, parecia incorruptível em sua beleza, coisa feita de um silêncio todo sussurros.
Sem se saber maçã, de repente amadureceu.
E, tocada pelo orvalho, rendida finalmente ao pincel, sem sofisticação alguma, devorou as pinceladas, numa tentativa de incorporar alguma beleza natural.

21 janeiro, 2008

O toque da mão da Mestre


Este desafio foi mais um sinal de que as cumplicidades e as partilhas são possíveis neste nosso atelier, que também é, em grande medida, um local de recreio do espírito.

Há situações no nosso mundo que fazem dizer às vezes um NÃO rotundo, mas outras, um SIM pungente.

Há coisas, na nossa vida que trazem no dia a dia uma mágoa sentida, mas outras, muita alegria.

Há coisas, nos nossos sonhos calados como segredos, fundos medonhos, mas outras, apenas medos.

Placa em porcelana da autoria de Elsa Machado


“Não temos em nossas mãos as soluções para todos os problemas do mundo, mas diante de todos os problemas do mundo temos as nossas mãos." Friedrich von Schiller

Assim ... tão bem pintou e melhor escreveu a nossa amiga, poetisa e artista Elsa Machado !

06 dezembro, 2007

Um Voo sem Rede

Diz o ditado popular que “Querer é poder” e se porventura alguém duvidar …. que veja o exemplo desta artista.
As bem aventuranças trouxeram-na ao meu atelier em 12-Fev-2003. Trazia com ela uma pequena placa pintada com rosas.
Mostrou-ma orgulhosa e, dei-me conta que a tinha como bitola quando assertivamente me disse - “Eu quero chegar AQUI !“
A verdade é que há muito superou o “Aqui” e como podem ver neste seu trabalho, já vai muito mais além.

A Elsa vai fazer o seu primeiro “voo sem rede” o que quer dizer... vai levar a público a sua primeira exposição individual no dia 07 de Dezembro corrente pelas 18 hrs, na Biblioteca Municipal de Barcelos e claro, vai ter a claque de todos os artistas do nosso grupo.

Desde já aqui fica a nossa força e total apoio e desejamos muitas venturas e sucessos na divulgação da maravilhosa Arte sobre Porcelana que pode ser visitada até 30-Dez-2007.