Da coisa mais banal, de algo que manejamos todos os dias sem nos suscitar qualquer atenção especial, aparece então alguém que, com a sua capacidade de “ver” para além do óbvio, surpreende tudo e todos transmutando essa banalidade em algo Artístico.
Será que este é um processo selectivo? Que está destinado apenas a uns quantos eleitos?
Na qualidade de professora de arte e pela experiência apreendida nos 21 anos de contactos com formandos, constatei que todos podem ser criativos nas matérias das suas apetências inatas.
- Que queres ser quando fores grande?
Fazemos a pergunta e ouvimos as imediatas respostas das crianças, revelando intuitivamente as suas tendências, quantas vezes já antecipadamente adivinhadas pelos pais mais atentos.
A primeira etapa - o “Arranque”
é sempre um processo mental, o nascer da ideia.
Há por isso, que dar crédito às nossas ideias, acreditar nelas e validar a sua viabilidade, ao revés de rejeitá-las sem as explorar devidamente.
Segunda etapa - Continuando no plano mental, escolher e identificar os elementos intervenientes.
Fechar os olhos, entrar dentro de nós, montar o projecto etereamente, alindando a composição a nosso bel-prazer até a aceitarmos como perfeita. Ajuda fazer rascunhos.
Enquanto ele estiver na “incubadora” mental, tudo o percepcionamos com os nossos sentidos é informação passível de ser usada no projecto.
Até que, sem dia, hora ou local marcado, nos surge a “Luz Branca” , o momento em que encontramos o elemento que nos faltava e que finalmente completa o projecto etéreo.
Terceira etapa- A materialização da nossa ideia conceptual.
Elegem-se os meios e os materiais e devotamo-nos ao trabalho de a reproduzir fielmente.
De quando em vez, as coisas não correm bem (a imagem real não retrata a ideia conceptual) e há que reformular tudo, recomeçar, reformular os componentes. Não vale desistir porque quando criamos, buscamos o melhor de nós e é nesse esforço que nos tornamos verdadeiramente dignos de mérito.
Quarta Etapa – A avaliação pessoal do resultado!
Aquela em que olhamos para o “trabalho” e nos JULGAMOS. Volta a ser um processo mental.
Fase difícil… estamos emocionalmente tão envolvidos nele que com frequência temos alguma dificuldade em avaliarmos com isenção. Deixe passar uns dias e depois, reavalie.
Se ele conta com a nossa aprovação … não há critico no mundo que derrube as nossas convicções pois o que conquistamos interiormente com a realização daquela OBRA, é algo tão sublime e inestimável, quanto a nossa evolução pessoal.
Já vai longa esta minha publicação, mas deixe-me ainda acrescentar que com o tempo e as experiências criativas, vamos gradualmente acelerando a primeira e segunda etapas, de tal forma que chegamos a um ponto em que as nossas “ideias”, por falta de tempo, fazem fila… para serem materializadas :))


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