Neste nosso último privilegiado percurso
Que natureza de encantos sem fim
Pensamentos libertados a levitarem na paisagem
Entre montes e montanhas, rios e riachos
Dispo-me do vão, banho-me na primavera
Das fragrâncias emanadas do teu desabrochar
Espraio-me indolente com um suspiro desobrigado
Libertando-me como ave dominante, pairando adormecida
Holisticamente consciente a protagonizar este agora
Em palco montado, figuração mental de percepção interior …
Aqui, nesta estrada de braços e abraços me sustenho
De corpo aveludado sentido, escorrido em mim
Eis chegado o tempo de prosseguir sem dor nem apegos
Mesmo que toldado por feitura idílica e de alma em desterro
Tenho ânsias de conquista e ergo assertivo a espada da vontade
Pois por entre abrolhos brandidos, a teus pés tudo terás……
Adivinho o porvir, pincelando pensamentos furtivos
Este éden multicolor, de fascínio ardente e imaculado
É catarse de sentires que o tempo a seu tempo despediu
Esvazio-me de pensamentos, atrevo-me no espiritual
Já não sou só senão, energia vital pura em perfeita osmose
Impoluta e inefável neste fadário astral …
E apegado ao sagrado, após epopeia estóica, se me volto
Desta sustentável leveza do meu ser, farei a minha lusitana cetra
Plenamente revivescido nestas fragrâncias de nós
Em deambulado fascínio, e neste apogeu celestial…
Despojado da existência corporal, e agora, apenas ecos da expiação
Sobra-me a essência do que já consegui ser
Assim me vou!
Pintura em porcelana de Noémia Travassos
Poema em dueto de Noémia Travassos e GildoNorte