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01 dezembro, 2009

Bonecas de Porcelana

De visita ao Museu do Brinquedo em Sintra, não pude deixar de reparar nestas "meninas".... Certamente um defeito de profissão!
A verdade é que elas fizeram as delícias de crianças e adultos doutras eras.

Eis um pouco da sua da história das bonecas:

" Embora não sejam conhecidas bonecas datadas da Pré-História, provavelmente porque seriam feitas em madeira ou em couro, materiais perecíveis, na civilização babilónia conhece-se uma boneca com braços articulados feita em alabastro e também em túmulos de crianças do Antigo Egipto, datáveis do período situado entre 3000 e 2000 a.C., onde foram encontradas bonecas de madeira com uma forma que se assemelha a uma espátula, possuindo uma cabeleira farta, sendo os cabelos feitos de fios de cabelo, provavelmente banhados na argila. Na Grécia Antiga, fazia parte dos rituais que antecediam o casamento a entrega por parte da noiva à deusa Ártemis das suas bonecas e de outros brinquedos, simbolizando o fim da infância. Prática semelhante existia em Roma.
A criação de bonecas com objectivos comerciais estruturou-se na Alemanha do século XV, nas localidades de Nuremberga, Augsburgo
e Sonneberg, onde nasceram os Dochenmacher (fabricadores de bonecas).
No século XVII, apareceram na Holanda bonecas com olhos de vidro e bonecas com perucas feitas de cabelo humano.

Entre os materiais utilizados na fabricação das antigas bonecas destacavam-se a madeira e os tecidos. Geralmente a cabeça era feita de cera, em moldes feitos de esculturas. O material mais apreciado pelos colecionadores era, no entanto, a cerâmica, que tornava possível a confecção de cabeças de porcelana, biscuit e um tipo de porcelana branca com aparência semelhante ao mármore.

No Japão, as bonecas são chamadas de Ningyoo, não sendo apenas brinquedos infantis; elas são um símbolo da história dos costumes do país . In Wikipédia"
Uma saudação muito especial para a nossa Amiga Mirta da Argentina. Hola Hola!
Esperamos que dentro em breve nos mostre um pouco mais das suas maravilhosas bonecas de porcelana.

19 junho, 2009

Ainda a Exposição da UPAP

...E de como uma ideia latente se torna real...


A ideia era simples.
Adejava irresoluta, em sombras e cores.
Às vezes parecia querer germinar, depois duvidava de si e aquietava-se.
Sobre a mesa de trabalho, um frasco de médio aquoso trazido de França, apetecia...depois, adiado, deixava-se ficar à espera da mão que lhe tocava para se fazer lembrado.
Queria eu ou queria ele... servir para qualquer coisa mais do que as especificações do fabricante.
Então aconteceu a 53ª Exposição da UPAP, com tantos e tão bons trabalhos inovadores e as demonstrações da Noémia Travassos, de macro sobre porcelana, e da Zezinha Cardoso, de aguarela sobre porcelana.
E a semente germinou, tocada por um inesperado raio de sol.
Na tentativa de desenvolver uma técnica viável inspirei-me em trabalhos do Professor Filipe Pereira, antes de partir para peças originais.
Assim, de um fôlego só, nasceram estes primeiros trabalhos, executados com médio aquoso de secagem rápida...dizem os senhores que sabem que ele só serve para canetar e para relevo de corrosão...digo eu que também pode pintar!

20 março, 2009

"Siglos de Arte y Cultura Unidos"

Séculos de Arte e Cultura Unidos, foi o tema desta grande Convenção em Mérida no México.
Foi muito gratificante, partilhar esta arte de pintura em porcelana com 200 pares de países como: Alemanha, Argentina, Brasil, Canadá, Espanha, Estados Unidos da América, França, Itália, Japão, México, Portugal, Suíça, Venezuela e Uruguai.
Deixo-vos imagens do enorme salão no Hotel Festa Americana. Publicarei mais tarde imagens de peças, após a autorização dos respectivos autores.

Tivemos o privilégio de contar com uma excelente organização da Associação Mexicana que inclusive nos proporcionou a visita inolvidável a uma das 7 maravilhas do mundo – Chichen-Itzá. Fiquei fascinada !!! Muito em breve irei falar-vos das particularidades daquele “Templo do Tempo”, como o apelidei.
Pudemos também assistir a inúmeras demonstrações de mestres de vários países, partilhando novas técnicas e tendências.
Trabalho de demonstração/workshop

A minha contribuição como mestra demonstradora, foi com esta peça .
O templo Chichen-Itzá, fi-lo em madeira fina recortada. De seguida apliquei em toda a tábua uma tinta acrílica cor de cobre. Após a secagem e com acrílico preto desenhei todos os detalhes e sombreados.
Numa placa de porcelana, pintei a macro do olho e queimei a 780ºC (queima única).
De seguida e para terminar, foi só colar a placa de porcelana na madeira e obter este efeito de perspectiva.

30 dezembro, 2008

Presépio em Porcelana Biscuit

Da Argentina e em época natalícia, a nossa amiga escultora Mirta Macedo de Rilo, partilha connosco o seu último e interessante trabalho em porcelana e diz-nos:

“ Este año no quise mandar ninguna postal, simplemente mi último trabajo.
Es parte de un pesebre estilo biscuit frances (ya que las piezas son blancas, mate y no se pintan) hecho con barbotina de porcelana cocinado a 1230° de temperatura ( ó cono 6) para aquellos que quemen a horno con cono.
[Este ano não quis mandar nenhum postal de Natal, simplesmente o meu último trabalho. É parte de um presépio em estilo biscuit francês, (já que as peças são brancas, sem vidrado e não se pintam) feito com barbotina de porcelana queimada a 1230º C de temperatura ou com o cone 6 para aqueles que não têm os fornos digitais]
Es mi deseo que el 2009 nos encuentre unidas, aunque sea en ciertas ocaciones, compartiendo los mismos gustos y tan gratos momentos.
Muchas Felicidades!!!
[Desejo que 2009 nos encontre unidas, ainda que seja só em certas ocasiões, partilhando os mesmos gostos e tão gratos momentos. Muitas felicidades !!!]”

Mirta Rilo

25 novembro, 2008

As Dicotomias

Ainda uma panorâmica da exposição "Propriocepção", patente ao público até 31 Dez 2008.


"Dicotomia Femini", um dos mais recentes trabalhos de Noémia Travassos

em placa de porcelana 51 x 41 cm

01 outubro, 2008

No reino de Tutankhamon ....

A arte, a mitologia e a estética do Antigo Egipto, uma das mais importantes civilizações humanas, exerceram sobre mim, desde sempre um estranho encantamento.

Não é pois causal que os meus trabalhos transpareçam esses conceitos e indubitavelmente este é um deles. De nome “Taliban” este é um misto de cerâmica e porcelana.

Na placa de porcelana central, pintei o rosto em primeiro plano e ao seu redor a imitar a pedra rústica egípcia, utilizei a técnica de corrosão com ácido. Com ela retirei nessa áreas o vidrado e criei uma estrutura irregular onde posteriormente pintei os hieróglifos.

Trabalho de Noémia Travassos
Emoldurei o meu Taliban no seu ambiente próprio, executando-lhe a envoltura em pasta cerâmica branca.
Modelei várias placas do tamanho de pequenos azulejos rectangulares e uns quantos quadrados e coloquei as figuras egípcias modeladas sobre elas. Os hieróglifos foram directamente desenhados e escavados.
Todo este processo teve de ser efectuado enquanto a pasta ainda estava mole.
Acertei os tamanhos, contando previamente com os 15% de retracção da secagem, deixei secar bem e queimei a 1000º C.

Envelheci a cerâmica , utilizando a tinta ocre da porcelana misturada com água e queimei a 780º C.

Depois foi só montar e colar todo o puzzle sobre uma placa de madeira, previamente pintada de preto e vejam que cara de safadinho....

23 setembro, 2008

Arte em Porcelana - Um excelente anti-stress

Nada como um intervalo de férias para restaurar forças e recriar a saudade de voltar a sentir o cheirinho das tintas.
Com as paletas de cores bem organizadas (hum que maravilha Tino, parabéns ) e a concepção criativa em alta, não há mãos a medir… não há pinceladas perdidas.

Há sim, a leveza sustentável do espírito a aproveitar cada varrimento de cor e cada textura criada ao acaso, a favor do processo criativo.

Por isso, os trabalhos que estavam em curso terminaram hoje num ápice, enquanto os conscientes inquietantes, já pesquisavam ansiosos o que fazer a seguir.


Trabalho de Filomena Alves


Trabalho de Elsa Machado
O melhor tratamento anti-stress, é aquele que nos confere auto-estima e nos preenche com as nossas realizações e conquistas.
É claro que o grupo onde estamos inseridos tem um papel preponderante de entreajuda, porque a verdade é que nos inspiramos nas sinergias que brotam de todos.

14 setembro, 2008

Corrosão sobre Porcelana


As possibilidades de técnicas de pinturas sobre porcelana são inúmeras.
Uma delas bem interessante e que tive o privilégio de aprender num seminário com a excelente mestra Pilar Burgos, foi a técnica de corrosão com ácido.

Os materiais necessários são, alcatrão, ácido, algodão, água, bicarbonato de sódio, diluente e tintas de porcelana.

Como envolve o manuseamento com um ácido tóxico e muito corrosivo, não poder ser efectuado dentro de recintos, devendo ser feito com extrema precaução, usando roupas próprias e máscaras com filtros apropriados.

O alcatrão, em estado líquido, serve para isolar as partes que não desejamos que o ácido corroa.



Um trabalho de Noémia Travassos



É uma técnica muito interessante, pouco comum e a boa notícia é que contamos ter a mestra Pilar Burgos nos próximos meses para mais um seminário.

Quem estiver interessado(a) em participar, basta contactar-me pelo meu e-mail ou telefone (podem visualizá-los no blog, no "meu perfil").

Os motivos da pintura podem ser ... todos aqueles que a nossa imaginação intua.

Apaixonada como sou pelas antigas civilizações, escolhi um tema Azteca usando as cores ocre, vários tons de castanhos, preto e acabamento a ouro.

Adorei o resultado bem texturado e a aparência de antiguidade pré-colombiana.

03 setembro, 2008

Bodegones - Un estilo a Preservar

Este trabajo lo realicé para la exposición de pintura en porcelana celebrada en La Paz – Bolivia.
Realizei este trabalho para a exposição de pintura em porcelana celebrada em La Paz - Bolívia.


Uno de los estilos que más me gusta pintar son los bodegones y en ellos los metales. Para conseguir el efecto metálico, uso colores amarillos, marrones y un poco de rosa.
Um dos estilos que mais gosto de pintar são as naturezas mortas e nelas os metais. Para conseguir o efeito metálico, uso os amarelos, castanhos e um pouco de rosa.



Un trabajo de Pilar Burgos

Este estilo, muy característico de los antiguos pintores españoles y poco común en las exposiciones de pintura en porcelana, pensé seria bonito para presentarlo en la convención.

Este estilo, bem característico dos antigos pintores espanhóis e pouco habitual nas exposições de pintura em porcelana, pensei que seria bonito apresentá-lo na convenção.

Fue bastante apreciado por los visitantes y por el Jurado que me concedió la medalla de plata.

Foi bastante apreciado pelos visitantes e galardoado com uma medalha de prata pelo Jurí do certame.

28 agosto, 2008

Sir Lancelot

Os lustres têm para mim uma vertente simultaneamente divertida e criativa, porque com relativa facilidade tiro partido dos seus efeitos naturais e bem modernos.

Este guarda jóias de 15 cm de diâmetro, foi palco de uma dessas minhas “brincadeiras”.
Comecei por deixar cair em vários sítios da peça gotas de lustre madrepérola puro e espalhei com os dedos.
Aleatoriamente fui colocando gostas de lustre amarelo e azul (previamente diluído) e sem preencher toda a peça, soprando de imediato vigorosamente com uma palhinha.
Para descortinar a surpresa abstracta que dali ia resultar, queimei a 750º C.

Sabem o que acontece quando um grupo se põe a observar as nuvens?!
Cada um visualiza formas completamente diferentes.

Trabalho da autoria de Noémia Travassos

Pois, dentro desse princípio eu “Vi” na pintura abstracta do meu guarda jóias, um cavaleiro e a sua montada.
Para que se tornassem visíveis para o mundo, só tinha que completá-los.
Delineei os contornos com um pincel fino, acrescentei pormenores e, sempre a tirar partido das cores dos lustres, criei sombras para realçar o relevo das formas.

Cobri com uma tinta metalizada bronze as formas excedentes da linha limite do cavalo e preenchi algumas das partes vazias, criando assim o cenário de batalha para o meu lendário cavaleiro e cavalheiro - Sir Lancelot.

Experimentem ! É um exercício criativo muito estimulante com resultados estéticos únicos.

19 agosto, 2008

LUSTRES

Trabalho da autoria de Elsa Masters
Ainda sobre o uso de lustres, deixo-vos uma travessa, da minha aluna Elsa Masters, em que os lustres foram aplicados num fundo quadriculado e em vários tons.
O restante trabalho foi executado com os pigmentos normais para porcelana, em algumas folhas usou-se relevo e areia que depois da queima foram cobertos com ouro brilho e platina.

Os lustres são conhecidos como tintas metálicas difíceis de guardar por muito tempo, mas a sua duração depende da composição dos mesmos.
Os lustres de cor carmim, rosa, purpura e violeta, sendo à base de ouro são os que têm uma duração mais curta, indo de 2 meses a um ano.
As outras cores podem durar anos em bom estado de conservação.

Há no entanto cuidados que se podem ter para lhes prolongar a boa qualidade de aplicação, que são: estarem bem fechados e com tampas bem limpas, maiores quantidades conservam-se melhor que restos em frascos pequenos e todos se aguentam mais tempo quando guardados no frio.
Um lustre mais antigo e portanto mais espesso nunca deve ser diluído com o diluente para lustres no próprio frasco, a diluição deve ser feita apenas na quantidade que se vai usar, caso contrário o que sobrar vai secar muito mais depressa.
Muito há ainda a dizer sobre os lustres e o seu uso... mas em pequenas doses para não os transformar num pesadelo, dado que são um material que nos pode conduzir a resultados maravilhosos e surpreendentes!
Espero que estas minhas dicas vos sejam úteis.
Bons trabalhos.

21 julho, 2008

A Crescer, em Força Criadora

É com muito prazer que damos as boas vindas a mais elemento para a nossa lista dos Amigos da Porcelana, a Mirta Maseda de Rilo.

A Mirta, modela e pinta bonecas de porcelana lindíssimas e com uma expressividade fora do comum.
É uma arte que o tempo infelizmente vai apagando mas que para ela, é pura paixão.

Reparem no rostinho da sua Kimmie ....

Não vou levantar mais o véu. Prefiro que seja a Mirta a falar um pouco dela e, de como enveredou pela arte das Bonecas em Porcelana.

19 julho, 2008

Kimmie


Muñeca de Porcelana

Creada por Cindy Rolf

para la firma Lasting Impressions

Tampa - Florida

13 julho, 2008

Como Pintar um Rosto, em porcelana

Executar um retrato, não é de todo um salto sem rede. É um desafio estimulante que apenas tem de seguir umas quantas regras básicas.

Para pintar um rosto, tendo por base uma fotografia, é essencial que a foto seja de boa qualidade. Os jogos de luz e sombra são extremamente importantes, porque criam a ilusão da 3ª dimensão. Outro factor importante, “a rede”/a garantia para o nosso salto perfeito são, boas tintas, óleo e pincéis apropriados.

Temos que observar atentamente que cada rosto, para além de ter uma tonalidade muito própria, é ainda influenciado pelas cores do meio envolvente.
Uma forma fácil de elegermos correctamente as cores a utilizar, é antes do trabalho, queimarmos uma paleta-modelo com cada uma das cores devidamente identificada com a sua referência.

Para este retracto, depois de passar as linhas principais para a porcelana, começamos por aplicar uma camada bem leve da cor- “1ª Base de Pele Clara”. Nos locais de luz mais intensa, nem se aplica cor. No final quando esfumarmos todo o rosto, essas partes ficam com tonalidades bem claras e subtis.

Ainda com a mesma cor, mas com o pincel ligeiramente mais carregado, definimos o nariz, as linhas dos olhos, sobrancelhas e orelhas. Na boca, usamos um rosa claro, retiram-se as luzes e voltamos a esfumar. É importante, sobretudo num rosto de criança que esses pormenores não fiquem demasiado fortes, pois perderia a toda a sua naturalidade.
Recordem que há sempre tempo para pôr mais escuro numa outra queima, porém o inverso já não é possível.
Passamos agora aos olhos. Damos uma tonalidade quase imperceptível de azul turquesa no globo ocular. Para executar a íris, temos que aplicar o tom mais claro que observamos na foto. Ou seja se os olhos são castanho escuros, aplicamos em toda a íris um castanho claro. Passamos depois a desenhar a menina do olho com negro e de imediato retiram-se a luzes. O cabelo segue um pouco o mesmo princípio. Se é loiro, pinta-se toda a base com tons de amarelo limão e esfuma-se.

Queima 1

Executada esta parte, que define todas as minudências, queimamos a 780º C.

Na segunda fase, vamos obter o efeito tridimensional ou dar-lhe a “alma”.
Observamos de novo a foto, o nosso trabalho queimado, a paleta-modelo das cores e identificamos qual a tonalidade a aplicar.

Para este caso, eu escolhi a cor “1ª Base de Pele Clara” misturada com a “1ª base de pele Escura”. Assim consegui uma cor intermédia adequada à tonalidade desta pequenita e apliquei por todo o rosto. Seguindo para a maças do rosto, aplica-se um pouquinho da cor “maças do Rosto” esfumando sempre. Com a cor “Sombra de rugas” muito suavemente, retocamos os pormenores das orelhas, nariz, pálpebras e pescoço. Reforçamos os lábios apenas com a “1ª Base de Pele Clara” e retiram-se as luzes.

Passamos para os olhos e aplicamos a cor castanha escura em toda a íris, inclusive sobre as luzes. Retiram-se de novo as luzes deixando perceber-se num ponto e noutro também o castanho claro.
Completam-se os olhos com a linha das pestanas, juntando um pouco de negro ao “Rich Brown”, usando um pincel bem fininho ou a caneta de canetar. Com ele também fazemos as pestanas, sempre muito leve e observando a direcção das mesmas. Com um pincel meio aberto e com um castanho claro fazem-se, bem ao de leve, as sobrancelhas e logo de seguida pelo mesmo processo o cabelo, usando a cor ocre.

Queima 2.
Temos a nossa menina pronta para a 2ª queima, mantendo os mesmos 780º C.

A terceira e ultima fase destina-se a dar, aquilo que eu costumo chamar - o toque mágico. Aqueles pequenos detalhes que dão realce, como por ex. uma maça de rosto com mais cor, o sombreado da testa e do nariz, os fios de cabelo e claro, terminar o fundo que elegemos para o nosso trabalho.
E assim termina o nosso rostinho. Vai queimar ? Não !

Eu deixo para o dia seguinte. Por vezes quando estamos a trabalhar durante 3 horas seguidas, passam-nos despercebidas correcções importantes. No dia seguinte, já descansados, olhamos para o trabalho com uma maior capacidade de crítica e aí sim, com todos os nossos sentidos apuradinhos, saltam-nos todas as falhas. Queimamos à 750º C.

Queima Final

Trabalho executado por Noémia Travassos

As tintas e o óleo que utilizei, são composições minhas que comercializo e estão disponíveis para venda, através do e-mail mencionado no meu perfil.

Experimentem, num rosto de 10 ou 15 cm para começar. É uma experiência envolvente que vão querer repetir e divirtam-se !

10 julho, 2008

LUSTRES


Continuando a falar de lustres... mais algumas dicas para obter os melhores resultados possíveis com um material tão sensível.
Os lustres, pelo peso dos metais de que se compõem, tendem a ganhar deposito , daí que se recomende que antes de usados se vire o frasco ao contrário por alguns momentos para que que se misture o metal com o solvente e se misture bem com uma vareta de vidro. Não deve agitar-se o frasco porque se formam bolhas de ar que na aplicação se mantêm e resultam em pequenas manchas pretas depois da queima. Para obter fundos de diversas cores com zonas de contacto agradavelmente fundidas umas nas outras e sem marcas de cor para cor, limpa-se a peça com um pano embebido em terebentina. Se a terebentina for aplicada a pincel antes dos lustres, estes escorrerão formando padrões interessantes. Efeitos semelhantes se podem conseguir esponjando um ou mais lustres e pulverizá-los com terebentina ou álcool, que abrirão espaços circulares no lustre, maiores ou menores dependendo do peso das gotas ( a terebentina é mais pesada do que o álcool) no caso de ser uma peça onde se possa fazer a aplicação na horizontal, nas peças redondas ocorrerá a formação de escorridos. No tempo frio é mais difícil aplicar lustres mas se a peça for aquecida uns minutos na mufla ou até mesmo mergulhada em água bem quente o lustre será mais fácil de aplicar e poderá trabalhar-se mais tempo sem que se cole aos pincéis e às esponjas. A peça que apresento para ilustrar os diversos efeitos conseguidos com os lustres foi executada por Teresa Campos Pereira, numa cópia livre de um trabalho de Peter Faust.
Espero que vos sejam úteis estes conselhos e bons trabalhos.

01 julho, 2008

Vaivém de Pensamentos Pintados

Era uma vez...... uma menina de olhos cor de mel, princesa dum reino encantado, daqueles onde o vaivém dos pensamentos sublimes, voam nas asas de felizes mini fadas.

Com uma destas visualizações, comecei a criar e a projectar em papel, um quadro que caracterizasse a minha querida sobrinha Mika.

Optei por fazer o rosto numa placa de porcelana, dando realce aos seus olhos expressivos e à sua boca sensual.

Numa placa de madeira (mdf) e com tintas acrílicas, materializei o vaivém dos pensamentos em azul, como se fosse água, levada no regaço de uma fada alada.

O conjunto, ficou assim e ela.... ADOROU !

Trabalho realizado por Noémia Travassos


16 junho, 2008





Peça de Peter Faust.


Para falar sobre lustres nada melhor que usar a imagem de um trabalho do Artista Peter Faust, que para além da criatividade e imensa mestria com que transforma as peças de porcelana em verdadeiras obras de arte é um conhecedor do trabalho com lustres, não só pelo conhecimento teórico dos mesmos , mas também pela experiência e experimentação de anos.

Dele e sobre lustres e sua utilização, deixo aqui alguns apontamentos retirados de um dos livros de sua autoria.

Os lustres são compostos metálicos dissolvidos em produtos orgânicos, que se apresentam liquidos e de cor acastanhada, tal como o ouro e a prata, antes de queimados.

Aplicados sobre vidrado, seja de cerâmica ou porcelana, e depois de queimados, resultam em superfícies suaves e iridiscentes, de cores fortes ou delicadas, dependendo do método usado na aplicação.

As cores puras são normalmente fortes e profundas, podendo ser diluidas com um diluente próprio para lustres, o que permite vários matizes da mesma cor. Quando aplicados em camada espessa pode ocorrer que saltem ou resultem sujos e baços depois da queima. Também se recomenda que se usem pincéis perfeitamente limpos, de preferência um para cada cor e esponjas novas para que o efeito final seja o mais perfeito possível.

Muito mais há a dizer sobre este material surpreendente nos seus resultados finais, criando sempre ansiedade na hora de abrir a mufla e não raras vezes defraudando as nossas expectativas, mas para não me tornar maçadora, em nova oportunidade continuarei a partilhar estas preciosas informações e dicas que traduzi livremente e apenas com a finalidade de as proporcionar a quem não tem, nem o tempo nem a paciência, para o fazer.


Até breve e bons trabalhos.


23 outubro, 2007

Arte em Ladrilhos

Lembram-se da demonstração sobre este tema que assistimos na PortoSigns, na Ribeira do Porto ?
Eu lembrei-me há 15 dias, quando casualmente entrei num café em Ottawa para tomar o pequeno-almoço.
Tomei-o de pé sem tirar os olhos dele, de tal maneira ele captou a minha atenção.
E o mais estranho, é que nem sequer é um género que normalmente aprecio, mas a Arte (este tema vai ter um artigo específico mais tarde e aberto a debate) é "isso", que me pôs literalmente hipnotizada a analisar as cores, a composição, o tema , a orientação dos ladrilhos e até... a assimetria da moldura.
Não me recordo se o café tinha mais quadros... eu só vi AQUELE !