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09 dezembro, 2009

Desafios 2009

Na senda dos desafios arrojados, a Mena aventurou-se pela difícil arte de pintar um espécime bebé da família crocodylidae, que depois das aves é actualmente o parente mais próximo dos dinossauros.
Tal como em um qualquer outro rosto, o objectivo foi perpetuar-lhe a expressividade daquele micro segundo.
A Mena transmitiu-o com mestria porque facilmente nos apercebermos que está muito atento, talvez a tentar descortinar uma possível presa.


Trabalho de Filomena Alves


Começou por lhe dar uma base de ocre dourado na zona dos olhos e boca, preservando os dentes. Na zona lombar deu-lhe uma sombreado de azul claro e definiu com negro as escamas salientes. Antes da primeira queima, passou uma base fina de verde-esmeralda em redor do crocodilo( na área da água), preservando sempre a luz com espaços em branco.


Na segunda parte, aplicou sobre todo o animal ( com excepção dos olhos e dentes), uma camada de castanho acobreado com bastante óleo e com ajuda de uma escova de dentes molhada em álcool lançou salpicos.
A reacção química do álcool sobre o óleo, abriu pequenos círculos, craquelando toda a superfície de pequenas bolinhas simulando assim a pele do crocodilo.
De seguida e antes da queima, reforçou os negros da parte lombar e para terminar passou na zona da água uma nova camada de verde, desta vez mais escuro criando assim manchas de luz e sombra.
A última fase e para a ultima queima foi apenas para reforçar pequenos detalhes do corpo, olhos e efeitos da água.
As felicitações foram muitas porque esteve em exibição na Exposição da UPAP do passado mês de Novembro e foi um dos trabalhos muito apreciados.

Desafios arrojados? Qual quê ... !

Para a Mena são degraus da escada do sucesso a que eu venho assistindo com muito orgulho!


Força Mena ! Os desafios para 2010 já estão lançados e não podem mais ser adiados!

19 junho, 2009

Ainda a Exposição da UPAP

...E de como uma ideia latente se torna real...


A ideia era simples.
Adejava irresoluta, em sombras e cores.
Às vezes parecia querer germinar, depois duvidava de si e aquietava-se.
Sobre a mesa de trabalho, um frasco de médio aquoso trazido de França, apetecia...depois, adiado, deixava-se ficar à espera da mão que lhe tocava para se fazer lembrado.
Queria eu ou queria ele... servir para qualquer coisa mais do que as especificações do fabricante.
Então aconteceu a 53ª Exposição da UPAP, com tantos e tão bons trabalhos inovadores e as demonstrações da Noémia Travassos, de macro sobre porcelana, e da Zezinha Cardoso, de aguarela sobre porcelana.
E a semente germinou, tocada por um inesperado raio de sol.
Na tentativa de desenvolver uma técnica viável inspirei-me em trabalhos do Professor Filipe Pereira, antes de partir para peças originais.
Assim, de um fôlego só, nasceram estes primeiros trabalhos, executados com médio aquoso de secagem rápida...dizem os senhores que sabem que ele só serve para canetar e para relevo de corrosão...digo eu que também pode pintar!

28 novembro, 2008

ÁGUIA



Jarra de porcelana, pintada com águia preparando-se para poisar.




A parte de trás da jarra foi pintada com pinheiros à beira de uma escarpa.



Nas partes laterais, em forma de triângulo invertido, foi aplicado relevo texturado e depois coberto de ouro brilho, enquanto o acabamento frontal foi feito com ouro mate.

Este trabalho foi executado pela minha aluna Raija Durão, sendo a águia de uma foto ao vivo, encontrada na net.

Espero que o prazer que possam sentir ao olhar este animal magnífico, seja o mesmo que a autora sentiu ao copiá-lo e eu ao vê-lo surgir, a pouco e pouco, do branco da peça.

Até breve.

19 agosto, 2008

LUSTRES

Trabalho da autoria de Elsa Masters
Ainda sobre o uso de lustres, deixo-vos uma travessa, da minha aluna Elsa Masters, em que os lustres foram aplicados num fundo quadriculado e em vários tons.
O restante trabalho foi executado com os pigmentos normais para porcelana, em algumas folhas usou-se relevo e areia que depois da queima foram cobertos com ouro brilho e platina.

Os lustres são conhecidos como tintas metálicas difíceis de guardar por muito tempo, mas a sua duração depende da composição dos mesmos.
Os lustres de cor carmim, rosa, purpura e violeta, sendo à base de ouro são os que têm uma duração mais curta, indo de 2 meses a um ano.
As outras cores podem durar anos em bom estado de conservação.

Há no entanto cuidados que se podem ter para lhes prolongar a boa qualidade de aplicação, que são: estarem bem fechados e com tampas bem limpas, maiores quantidades conservam-se melhor que restos em frascos pequenos e todos se aguentam mais tempo quando guardados no frio.
Um lustre mais antigo e portanto mais espesso nunca deve ser diluído com o diluente para lustres no próprio frasco, a diluição deve ser feita apenas na quantidade que se vai usar, caso contrário o que sobrar vai secar muito mais depressa.
Muito há ainda a dizer sobre os lustres e o seu uso... mas em pequenas doses para não os transformar num pesadelo, dado que são um material que nos pode conduzir a resultados maravilhosos e surpreendentes!
Espero que estas minhas dicas vos sejam úteis.
Bons trabalhos.

10 julho, 2008

LUSTRES


Continuando a falar de lustres... mais algumas dicas para obter os melhores resultados possíveis com um material tão sensível.
Os lustres, pelo peso dos metais de que se compõem, tendem a ganhar deposito , daí que se recomende que antes de usados se vire o frasco ao contrário por alguns momentos para que que se misture o metal com o solvente e se misture bem com uma vareta de vidro. Não deve agitar-se o frasco porque se formam bolhas de ar que na aplicação se mantêm e resultam em pequenas manchas pretas depois da queima. Para obter fundos de diversas cores com zonas de contacto agradavelmente fundidas umas nas outras e sem marcas de cor para cor, limpa-se a peça com um pano embebido em terebentina. Se a terebentina for aplicada a pincel antes dos lustres, estes escorrerão formando padrões interessantes. Efeitos semelhantes se podem conseguir esponjando um ou mais lustres e pulverizá-los com terebentina ou álcool, que abrirão espaços circulares no lustre, maiores ou menores dependendo do peso das gotas ( a terebentina é mais pesada do que o álcool) no caso de ser uma peça onde se possa fazer a aplicação na horizontal, nas peças redondas ocorrerá a formação de escorridos. No tempo frio é mais difícil aplicar lustres mas se a peça for aquecida uns minutos na mufla ou até mesmo mergulhada em água bem quente o lustre será mais fácil de aplicar e poderá trabalhar-se mais tempo sem que se cole aos pincéis e às esponjas. A peça que apresento para ilustrar os diversos efeitos conseguidos com os lustres foi executada por Teresa Campos Pereira, numa cópia livre de um trabalho de Peter Faust.
Espero que vos sejam úteis estes conselhos e bons trabalhos.

16 junho, 2008





Peça de Peter Faust.


Para falar sobre lustres nada melhor que usar a imagem de um trabalho do Artista Peter Faust, que para além da criatividade e imensa mestria com que transforma as peças de porcelana em verdadeiras obras de arte é um conhecedor do trabalho com lustres, não só pelo conhecimento teórico dos mesmos , mas também pela experiência e experimentação de anos.

Dele e sobre lustres e sua utilização, deixo aqui alguns apontamentos retirados de um dos livros de sua autoria.

Os lustres são compostos metálicos dissolvidos em produtos orgânicos, que se apresentam liquidos e de cor acastanhada, tal como o ouro e a prata, antes de queimados.

Aplicados sobre vidrado, seja de cerâmica ou porcelana, e depois de queimados, resultam em superfícies suaves e iridiscentes, de cores fortes ou delicadas, dependendo do método usado na aplicação.

As cores puras são normalmente fortes e profundas, podendo ser diluidas com um diluente próprio para lustres, o que permite vários matizes da mesma cor. Quando aplicados em camada espessa pode ocorrer que saltem ou resultem sujos e baços depois da queima. Também se recomenda que se usem pincéis perfeitamente limpos, de preferência um para cada cor e esponjas novas para que o efeito final seja o mais perfeito possível.

Muito mais há a dizer sobre este material surpreendente nos seus resultados finais, criando sempre ansiedade na hora de abrir a mufla e não raras vezes defraudando as nossas expectativas, mas para não me tornar maçadora, em nova oportunidade continuarei a partilhar estas preciosas informações e dicas que traduzi livremente e apenas com a finalidade de as proporcionar a quem não tem, nem o tempo nem a paciência, para o fazer.


Até breve e bons trabalhos.


26 maio, 2008

PLACA FANTASIA



O todo para além do pormenor.

Reflectindo o prazer de criar, de deixar a pena correr ao sabor do traço, de pintar as cores que surgem ao olhar.

Sem pensar, sem querer, sem finalidade.

Só porque assim o quis a ideia de não ser mais do que a mão que realiza a beleza pressentida.

12 maio, 2008

HAJA CORAGEM



Foi com surpresa e prazer que recebi e aceitei o convite, que muito me honrou, para participar activamente neste blog.



Sendo a minha técnica de eleição o canetado, começo por vos deixar parte de um trabalho executado sobre uma placa de porcelana com técnicas mistas: canetado, pintura, corrosão, prata, ouro mate trabalhado e ouro brilho sobre a corrosão.



Espero:
Que este seja o inicio de colaboração auspiciosa
Que os trabalhos que tenho para mostrar sejam inspiradores
Que a confiança não seja desmerecida